É engraçado como as pessoas pensam que sabem tudo. Todas elas, ocupadas demais em olharem para o próprio umbigo, preocupando-se em parecer mais bonitas e interessantes do que realmente são. Algumas delas devem ter na cabeça o equivalente ao número de pêlos de uma minhoca, de fato.
Dietas loucas, que muitas vezes resultam em distúrbios alimentares sérios. Obssessão pela juventude eterna, que pode causar o chamado 'não ando e sorrio ao mesmo tempo'. Algumas pessoas perderam de vez a capacidade de admirar as pequenas coisas, ver a beleza daquilo que é mais simples. Saber apreciar uma boa música, olhar para o céu (na medida do que a poluição torna possível) e enxergar alguma beleza.
Deveríamos tentar esquecer os conceitos de que beleza é um fator apenas físico, externo. Bonito é aquele que é gentil, e não o 'cara musculoso e popular'. Bonito é aquele que diz 'bom dia', que respeita, que sorri.
Mas parece que isso está fora de moda. Bom mesmo é ser atraente, ter os cabelos e corpos bonitos, rebolar até o chão, amar milhões e milhões de 'amigos', ir para festas, beber até cair, envolver-se em relacionamentos de festas, desconsiderar o valor das outras pessoas e o próprio valor.
Isso me lembra este pequeno texto, que não sei quem escreveu:
"Quer passar fome com dietas loucas só para ter o corpinho da Gisele Bündchen? Vai ficar horas dentro da academia na esperança de ficar que nem o Brad Pitt? Que tal ler todos os livros do mundo ou ainda gastar todo o seu dinheiro em coisas caras só para se passar por milionário?
Você acha mesmo que isso tudo vai te fazer mais especial? Pois te digo que nessa sociedade descartável, tudo o que é novo e excitante é superado em menos de dois pulos por algo mais novo ainda. E todo esse seu esforço para ser algo digno de publicação em capa de revista vai por água a baixo se você acreditar que o seu valor só existe dentro desses pilares.
Afinal, sempre haverá pessoas que são mais bonitas, mais ricas, mais gostosas, mais inteligentes, mais isso, mais aquilo do que você.
Então por que se preocupar tanto com essas coisas?"
Será que é tão importante assim ser belo, atraente e popular? Ser oca, mas com meu sorriso plástico arrasar corações? Bem, se isso é o necessário para ser feliz, acho que serei eternamente infeliz.
domingo, 30 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
Parte um
Chegou, sentou-se ao meu lado. Fiz que não vi, obviamente. Se não me conhece, que não sente ao meu lado. Ponto.
Vi que tentava inutilmente formar alguma frase em sua mente que iniciasse um diálogo entre nós - e pela sua expressão, parecia descartar todas as possibilidades de 'Como o dia está bonito!' ou 'O que você acha do último escândalo do Governo?'. Limitou-se a fitar a parede do lado oposto da sala, enquanto eu observava pelo canto dos meus olhos suas mínimas reações.
Cruzou as pernas. Abriu uma revista. Olhou algumas fotos. Descruzou as pernas. Olhou mais algumas fotos. Cruzou novamente as pernas. Fingiu ler algo. Jogou a revista em um canto. Fitou a parede.
Um conflito estava ocorrendo diante dos meus olhos. Senti a agonia de alguém que não sabe o que dizer, e que precisa desesperadamente falar algo. Pareceu-me que ia explodir, ali, na minha frente. Parecia retorcer o cérebro em busca de algo para me dizer, qualquer pequena pergunta. Depois de iniciar o diálogo, tudo seria mais fácil, pensava.
Levantou, tomou um gole d'água. Sentou. Ficou a pensar. E a parede nunca havia parecido tão interessante.
- Com licença, poderia me dizer que horas são?
Depois dessa pergunta, meus dias jamais seriam os mesmos.
Vi que tentava inutilmente formar alguma frase em sua mente que iniciasse um diálogo entre nós - e pela sua expressão, parecia descartar todas as possibilidades de 'Como o dia está bonito!' ou 'O que você acha do último escândalo do Governo?'. Limitou-se a fitar a parede do lado oposto da sala, enquanto eu observava pelo canto dos meus olhos suas mínimas reações.
Cruzou as pernas. Abriu uma revista. Olhou algumas fotos. Descruzou as pernas. Olhou mais algumas fotos. Cruzou novamente as pernas. Fingiu ler algo. Jogou a revista em um canto. Fitou a parede.
Um conflito estava ocorrendo diante dos meus olhos. Senti a agonia de alguém que não sabe o que dizer, e que precisa desesperadamente falar algo. Pareceu-me que ia explodir, ali, na minha frente. Parecia retorcer o cérebro em busca de algo para me dizer, qualquer pequena pergunta. Depois de iniciar o diálogo, tudo seria mais fácil, pensava.
Levantou, tomou um gole d'água. Sentou. Ficou a pensar. E a parede nunca havia parecido tão interessante.
- Com licença, poderia me dizer que horas são?
Depois dessa pergunta, meus dias jamais seriam os mesmos.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Assim, de passagem
Parece que foi ontem, parece que durou tanto. Foi um momento único, foi um momento estranho, foi um momento especial.
Caminhando, deixando-me levar pela vida, encontro em meio aos olhares apressados aquele que me faz parar. Parar de não pensar, e começar a enxergar no fundo daqueles encantadores e sonhadores olhos azuis um poço no qual começo a me perder.
Os olhos não estavam sós, mas pareciam que iluminavam aquele momento com um brilho singular. Ao passar apressado, o encontro dos olhares fez parecer que o que durou uma fração de segundo parecesse durar uma eternidade, fez com que a velocidade do mundo fosse reduzida apenas à daquele olhar.
Sentindo-me invadida por aquele olhar, como se meus olhos fossem apenas uma janela da minha alma pela qual eu me sentida descoberta, desprotegida, aflita por ser desvendada por um olhar desconhecido.
Olhos encantadoramente sonhadores, lunáticos, que buscavam aflitos qualquer coisa para observarem desatentos, pois o pensamento vagava por universos jamais conhecidos...
O andar curvado, o jeans meio surrado, a aparência meio desleixada dava àquele olhar ainda mais brilho e intensidade, ainda mais vida. Senti-me presa aos olhos sonhadores, senti-me dependente do seu brilho, senti-me leve, senti-me bem.
E quando a frágil ligação entre nossos olhares se desfez, vi-me novamente perdida no meu não pensar, ou melhor, perdida a pensar naqueles olhos sonhadores.
Caminhando, deixando-me levar pela vida, encontro em meio aos olhares apressados aquele que me faz parar. Parar de não pensar, e começar a enxergar no fundo daqueles encantadores e sonhadores olhos azuis um poço no qual começo a me perder.
Os olhos não estavam sós, mas pareciam que iluminavam aquele momento com um brilho singular. Ao passar apressado, o encontro dos olhares fez parecer que o que durou uma fração de segundo parecesse durar uma eternidade, fez com que a velocidade do mundo fosse reduzida apenas à daquele olhar.
Sentindo-me invadida por aquele olhar, como se meus olhos fossem apenas uma janela da minha alma pela qual eu me sentida descoberta, desprotegida, aflita por ser desvendada por um olhar desconhecido.
Olhos encantadoramente sonhadores, lunáticos, que buscavam aflitos qualquer coisa para observarem desatentos, pois o pensamento vagava por universos jamais conhecidos...
O andar curvado, o jeans meio surrado, a aparência meio desleixada dava àquele olhar ainda mais brilho e intensidade, ainda mais vida. Senti-me presa aos olhos sonhadores, senti-me dependente do seu brilho, senti-me leve, senti-me bem.
E quando a frágil ligação entre nossos olhares se desfez, vi-me novamente perdida no meu não pensar, ou melhor, perdida a pensar naqueles olhos sonhadores.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Momentos
Vejo-me aqui sentada em uma praça de alimentação qualquer. Pessoas conversam, riem e, obviamente, comem. Me encontro sozinha em uma mesa, sentindo o tempo deliciosamente escapar por entre meus dedos.
Por puro prazer, passo a olhar para todos os que estão ao meu redor.Vejo duas moças ao meu lado, ambas a falar e rir quase que sem pausa alguma. Do outro lado, uma mulher fala ao telefone, enquanto come batatas fritas. Diversos grupos de pessoas dividem-se em mesas ao meu redor, todas parecendo bastante satisfeitas com suas vidas. Mas algo chamou minha atenção de repente.
Apenas um homem magro, com a barba por fazer e olhos cansados, que traz consigo uma bolsa. Sentou e abriu a bolsa, a qual fazia um som estranho, como um tintilar de moedas. Mas sim, eram moedas! Ele passa a tirar muitas moedas, e a contá-las e formar com elas pilhas delicadamente dispostas sobre a mesa. Observo que são muitas moedas, e vejo pela cor que a maioria delas tem um pequeno valor, apenas cinco centavos. Mas pelo modo com o qual aquele homem separa as moedas, parece se tratar do mais valioso tesouro que jamais pôde existir.
De repente, outro homem juntou-se a ele e passou a ajudá-lo. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas. E eles, silenciosamente, arrumavam-nas em suas devidas pilhas. Parecia tratar-se de um ritual sagrado. Algumas vezes, um pequeno deslize faz com que uma moeda caia. Calmamente, um deles a apanha e continua a empilhar as moedas. Durante esse tempo, não trocaram nenhuma palavra. E eu, quase em transe, observo aquele ritual. 'Tim, tim, tim', o som parece me fazer sonhar.
Porém, repentinamente, algo me desperta. Não sei o que foi ao certo, mas saio daquele momento tão singular e percebo que preciso ir para outro local. Acho que estou atrasada para o meu compromisso. Levanto, pego minha bolsa e saio. Ao passar ao lado da mesa dos concentrados homens a empilhar moedas, lanço um olhar discreto, e vejo aquelas moedas todas, como se fizessem parte de uma obra de arte. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas.
Por puro prazer, passo a olhar para todos os que estão ao meu redor.Vejo duas moças ao meu lado, ambas a falar e rir quase que sem pausa alguma. Do outro lado, uma mulher fala ao telefone, enquanto come batatas fritas. Diversos grupos de pessoas dividem-se em mesas ao meu redor, todas parecendo bastante satisfeitas com suas vidas. Mas algo chamou minha atenção de repente.
Apenas um homem magro, com a barba por fazer e olhos cansados, que traz consigo uma bolsa. Sentou e abriu a bolsa, a qual fazia um som estranho, como um tintilar de moedas. Mas sim, eram moedas! Ele passa a tirar muitas moedas, e a contá-las e formar com elas pilhas delicadamente dispostas sobre a mesa. Observo que são muitas moedas, e vejo pela cor que a maioria delas tem um pequeno valor, apenas cinco centavos. Mas pelo modo com o qual aquele homem separa as moedas, parece se tratar do mais valioso tesouro que jamais pôde existir.
De repente, outro homem juntou-se a ele e passou a ajudá-lo. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas. E eles, silenciosamente, arrumavam-nas em suas devidas pilhas. Parecia tratar-se de um ritual sagrado. Algumas vezes, um pequeno deslize faz com que uma moeda caia. Calmamente, um deles a apanha e continua a empilhar as moedas. Durante esse tempo, não trocaram nenhuma palavra. E eu, quase em transe, observo aquele ritual. 'Tim, tim, tim', o som parece me fazer sonhar.
Porém, repentinamente, algo me desperta. Não sei o que foi ao certo, mas saio daquele momento tão singular e percebo que preciso ir para outro local. Acho que estou atrasada para o meu compromisso. Levanto, pego minha bolsa e saio. Ao passar ao lado da mesa dos concentrados homens a empilhar moedas, lanço um olhar discreto, e vejo aquelas moedas todas, como se fizessem parte de uma obra de arte. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Doces ilusões
E cá estou eu, pensando com os meus botões. É bom, de vez em quando, parar pra pensar, mesmo que a gente não saiba muito bem no que isso vai dar. E me encontro, de repente, pensando em uma conversa que tive outro dia: será que as ilusões devem fazer parte das nossas vidas?Não falo daquelas ilusões que nos fazem perder a noção da realidade, nem daquelas que nos fazem abandonar a realidade, mas sim aquelas pequenas ilusões, aquelas onde nós podemos, por alguns instantes, realizar nossos mais secretos desejos, e figir um pouco da 'cruel realidade'.
Ilusões que às vezes podem parecer algo tão bobo para alguns, e que para nós valem tanto. Sejam amores fantásticos, pequenas realizações, desejos secretamente guardados, vontades, enfim...
Vale ressaltar, no entanto, que ilusões são boas apenas enquanto ainda temos a noção do que é real, já que de nada vale viver de ilusão.
Essas ilusões, algumas vezes, podem nos fazer querer não mais enfrentar a realidade, e nos habituar a viver em algo fantasioso. A realidade, mesmo sendo cruel e injusta algumas vezes, é necessária, pois nos faz crescer e amadurecer.
Ah, mas 'iludir-se' de vez em quando é até bom.
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Pensando com meus botões.
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