quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Assim, de passagem

Parece que foi ontem, parece que durou tanto. Foi um momento único, foi um momento estranho, foi um momento especial.
Caminhando, deixando-me levar pela vida, encontro em meio aos olhares apressados aquele que me faz parar. Parar de não pensar, e começar a enxergar no fundo daqueles encantadores e sonhadores olhos azuis um poço no qual começo a me perder.
Os olhos não estavam sós, mas pareciam que iluminavam aquele momento com um brilho singular. Ao passar apressado, o encontro dos olhares fez parecer que o que durou uma fração de segundo parecesse durar uma eternidade, fez com que a velocidade do mundo fosse reduzida apenas à daquele olhar.
Sentindo-me invadida por aquele olhar, como se meus olhos fossem apenas uma janela da minha alma pela qual eu me sentida descoberta, desprotegida, aflita por ser desvendada por um olhar desconhecido.
Olhos encantadoramente sonhadores, lunáticos, que buscavam aflitos qualquer coisa para observarem desatentos, pois o pensamento vagava por universos jamais conhecidos...
O andar curvado, o jeans meio surrado, a aparência meio desleixada dava àquele olhar ainda mais brilho e intensidade, ainda mais vida. Senti-me presa aos olhos sonhadores, senti-me dependente do seu brilho, senti-me leve, senti-me bem.
E quando a frágil ligação entre nossos olhares se desfez, vi-me novamente perdida no meu não pensar, ou melhor, perdida a pensar naqueles olhos sonhadores.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Momentos

Vejo-me aqui sentada em uma praça de alimentação qualquer. Pessoas conversam, riem e, obviamente, comem. Me encontro sozinha em uma mesa, sentindo o tempo deliciosamente escapar por entre meus dedos.
Por puro prazer, passo a olhar para todos os que estão ao meu redor.Vejo duas moças ao meu lado, ambas a falar e rir quase que sem pausa alguma. Do outro lado, uma mulher fala ao telefone, enquanto come batatas fritas. Diversos grupos de pessoas dividem-se em mesas ao meu redor, todas parecendo bastante satisfeitas com suas vidas. Mas algo chamou minha atenção de repente.
Apenas um homem magro, com a barba por fazer e olhos cansados, que traz consigo uma bolsa. Sentou e abriu a bolsa, a qual fazia um som estranho, como um tintilar de moedas. Mas sim, eram moedas! Ele passa a tirar muitas moedas, e a contá-las e formar com elas pilhas delicadamente dispostas sobre a mesa. Observo que são muitas moedas, e vejo pela cor que a maioria delas tem um pequeno valor, apenas cinco centavos. Mas pelo modo com o qual aquele homem separa as moedas, parece se tratar do mais valioso tesouro que jamais pôde existir.
De repente, outro homem juntou-se a ele e passou a ajudá-lo. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas. E eles, silenciosamente, arrumavam-nas em suas devidas pilhas. Parecia tratar-se de um ritual sagrado. Algumas vezes, um pequeno deslize faz com que uma moeda caia. Calmamente, um deles a apanha e continua a empilhar as moedas. Durante esse tempo, não trocaram nenhuma palavra. E eu, quase em transe, observo aquele ritual. 'Tim, tim, tim', o som parece me fazer sonhar.
Porém, repentinamente, algo me desperta. Não sei o que foi ao certo, mas saio daquele momento tão singular e percebo que preciso ir para outro local. Acho que estou atrasada para o meu compromisso. Levanto, pego minha bolsa e saio. Ao passar ao lado da mesa dos concentrados homens a empilhar moedas, lanço um olhar discreto, e vejo aquelas moedas todas, como se fizessem parte de uma obra de arte. 'Tim, tim, tim', faziam as moedas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Doces ilusões

E cá estou eu, pensando com os meus botões. É bom, de vez em quando, parar pra pensar, mesmo que a gente não saiba muito bem no que isso vai dar. E me encontro, de repente, pensando em uma conversa que tive outro dia: será que as ilusões devem fazer parte das nossas vidas?
Não falo daquelas ilusões que nos fazem perder a noção da realidade, nem daquelas que nos fazem abandonar a realidade, mas sim aquelas pequenas ilusões, aquelas onde nós podemos, por alguns instantes, realizar nossos mais secretos desejos, e figir um pouco da 'cruel realidade'.
Ilusões que às vezes podem parecer algo tão bobo para alguns, e que para nós valem tanto. Sejam amores fantásticos, pequenas realizações, desejos secretamente guardados, vontades, enfim...
Vale ressaltar, no entanto, que ilusões são boas apenas enquanto ainda temos a noção do que é real, já que de nada vale viver de ilusão.
Essas ilusões, algumas vezes, podem nos fazer querer não mais enfrentar a realidade, e nos habituar a viver em algo fantasioso. A realidade, mesmo sendo cruel e injusta algumas vezes, é necessária, pois nos faz crescer e amadurecer.

Ah, mas 'iludir-se' de vez em quando é até bom.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Um breve comentário sobre o fim de ano

Paz, amor, felicidade... Sentimentos e desejos tão belos, mas que aparentemente só aparecem no final do ano.
Todos juntos, celebrando a união e todo aquele 'blá blá blá' que parece cada vez mais falso. Não chegarei a ser exagerada a ponto de dizer que em todos os casos são sentimentos falsos, porque não é bem assim. Mas por que só nessa época do ano todos desejam aos outros coisas boas, e no decorrer do ano agem com indiferença e parecem nem se importar? Dizem que é o 'espírito de união' que invade a todos nessa época do ano. Na minha opinião, isso é bobagem.
Será que é necessário que um 'espírito' nos invada e nos faça ser mais unidos? Isso é realmente preocupante.

Mas chega de falar disso. Afinal, quem sou eu pra julgar as atitudes das outras pessoas! Apesar de tudo, essa é uma época bonita do ano. Mudanças que são feitas, lembranças que guardamos, aprendizados... Tudo o que nos fez mudar e crescer durante o ano que passou. É realmente assustador saber que 'mais um ano está acabando', que foi mais uma parte da nossa vida que está indo embora. Mas, ao pensarmos nisso, podemos ver se esse ano, um capítulo na nossa história, colaborou para o nosso crescimento e para que nos tornássemos pessoas melhores.
Assim como houveram erros, houveram acertos, e com ambos pudemos aprender. Sorrisos e lágrimas, apesar de opostos, puderam nos mostrar quais são as pessoas dispostas a nos ajudar. Progressos e até mesmo regressos serviram para não nos deixar esquecer o que realmente é importante para nós. Enfim, tudo o que passou nos mudou, de uma forma ou de outra.

E para finalizar, desejo que nesse ano que chega possam ocorrer mudanças. Ou melhor, crescimento! Porque com as mudanças por vezes substiuímos algo que já existia, e através do crescimento, aperfeiçoamos o que já havia.














"Todos os fins são também começos, apenas não sabemos disso na hora".

domingo, 2 de dezembro de 2007

Sobre o sentido das coisas

' maíraaa diz:
mas há dias em que nada faz sentido
' maíraaa diz:
e os sinais que me ligam ao mudo se desligaaaaaam (8)
' maíraaa diz:
mundo*
.Thadeu diz:
nenhum dia faz sentido =/
.Thadeu diz:
nao por si só
.Thadeu diz:
nós damos sentido à eles :)
' maíraaa diz:
as coisas não tem sentido
' maíraaa diz:
cabe a nós darmos sentido a elas ^^
.Thadeu diz:
para assim, podermos viver
' maíraaa diz:
se as coisas já tivessem sentido, tudo seria muito chato
.Thadeu diz:
com a cabecinha em paz..
.Thadeu diz:
verdade
' maíraaa diz:
imagina só, viver sem ter que dar sentido às coisas
' maíraaa diz:
ia ser muito chato .__.
' maíraaa diz:
porque tudo que a gente faz dá sentido à nossa vida
' maíraaa diz:
é a magia de viver, digamos assim *-*"