Sexta-feira, e no supermercado as filas maiores do que nos outros dias. Parece que necessidade de compras e cansaço caminham juntos, unidos pela falta de tempo nos demais dias da semana. Aquela cesta com o jantar não pesava tanto quanto os olhos, que lutavam para continuarem abertos.
Em meio a tudo isso, alguém se mostrava indiferente. Tinha um objetivo bem maior: brincar com aquela garrafa, gelada, não abria por mais que a mordesse.
Caiu.
Toma, querido, pegue aqui. A chupeta, agora, era seu passatempo.
Com licença. Pois não.
Passou para procurar uma revista, ah, achei, mas, espere. Sentiu o toque de uma pequenina mão segurar seu dedo. A mãe da criança sorria. O bebê parecia estar precisando de um conforto, ah, se soubesse que ele também precisava. Há quanto tempo precisava de uma mão amiga? Muito, e só agora viera a encontrar - e onde menos esperava achar. Dedos tão pequenos, mas que passavam tanta felicidade. Aquele olhar tão inocente, fazendo o bem, sendo gentil apenas porque era de sua natureza, ainda não perdera a pureza de que tanto careceria quando fosse mais velho.
Em um instante que pareceu eterno, o bebê confotava um homem feito. Homem que se sentiu frágil, não sabia como agir, se permitia aquele contato tão íntimo e constrangedor, ou se retirava a mão apressadamente. Olhava nervosamente para a mãe da criança, esta apenas se limitava a tirar as compras do carrinho.
O bebê o fitava, com aqueles grandes olhos que refletiam sua grande alma, alma pura de quem ainda não aprendeu que não se deve demonstrar assim os sentimentos ou que se deve conter as vontades. Bebê que não sabia que apenas ao segurar as mãos de alguém, havia gerado um pequeno distúrbio no equilíbrio anteriormente estabelecido.
O homem, sutilmente, afastou sua mão da pequena mãozinha, que ficou, ainda, a tatear em busca de algo, mas que acabou desistindo. Sorriu, saiu e não olhou para trás.
Dentro de si, torcia para que aquela criança viesse, futuramente, a ser uma mão amiga para muitas outras pessoas. Ah, meu Deus, não permita que a essência desse garoto se perca.
- R$14,90.
- Pode ficar com o troco.
domingo, 29 de março de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
Por tempo indeterminado.
Por conta de um "quase" pessoal, deixo aqui, mais uma vez, o meu até breve.
Aviso que pode ser necessário ou não, mas julgo bem deixar aqui expresso que não postarei mais por falta de tempo, não de vontade.
Esse ano é meu, tem que ser. Trabalharei pra que esse ano não haja um "quase", mas sim um "consegui!".
Porque me ensinaram que a persistência é a alma do negócio.
Aviso que pode ser necessário ou não, mas julgo bem deixar aqui expresso que não postarei mais por falta de tempo, não de vontade.
Esse ano é meu, tem que ser. Trabalharei pra que esse ano não haja um "quase", mas sim um "consegui!".
Porque me ensinaram que a persistência é a alma do negócio.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Um quase.
Sentada vendo o tempo passar, ouvindo aquela rádio de sempre, com a cabeça encostada na janel do carro do mesmo jeito de sempre, ansiosa por um banho, ah, minha casa, será que os cachorros quebraram alguma coisa? De repente, aquele grande ônibus azul. Mais curioso que o ônibus por si só é a figura que o persegue. Mochila nos ombros, olhar desesperado e grandes passos, um grito, ele não pode deixá-lo escapar. O alcança. As portas, porém, não se abrem. Ele tenta, insiste, mas nada adianta. Ele se vai, reconhecendo o "quase lá".
Interessante como na vida há sempre esses "quase lá". Correr atrás de algo, desejar, precisar, tudo isso nem sempre parece suficiente para que se alcance. O pior: alcançar de maneira não plena. Como chegar perto, tocar e deixar escapar.
Pode ser um desejo, uma pessoa, uma pequena realização pessoal. Pior do que falhar é a dor do quase. Porque quase conseguir mostra que faltou muito pouco paara que o que era apenas idealizado se tornasse real, objetivos não alcançados, sejam eles grandes ou pequenos.
Falhar por muito mostra incompetência, falhar por pouco mostra capacidade insuficiente. Ou suficiente, mas não totalmente. Saber que o que se fez foi quase o bastante para que tudo saísse como o esperado, mas que por algum infortúnio não foi o suficiente é realmente pesaroso.
Ter que "deixar para a próxima" por muito pouco. Um pouco que, em outra situações, seria o quase nada. Sempre, sempre é quase nada, a menos quando se precisa desse pouco, seja esforço, empenho, ou até mesmo sorte.
Ter que esperar minutos, dias ou até mesmo meses por algo apenas por ter falhado na última hora.
Mas pior do que ter que esperar por tudo isso é conformar-se e não mais esperar. Falhar por muito pouco e deixar que isso seja suficiente para acomodação, aceitando a oportunidade perdida, sem lutar para que ela seja alcançada. Pior do que o quase é a acomodação.
Ele se foi, reconhecendo o "quase lá", mas em seus olhos via-se a determinação do "será da próxima vez".
Interessante como na vida há sempre esses "quase lá". Correr atrás de algo, desejar, precisar, tudo isso nem sempre parece suficiente para que se alcance. O pior: alcançar de maneira não plena. Como chegar perto, tocar e deixar escapar.
Pode ser um desejo, uma pessoa, uma pequena realização pessoal. Pior do que falhar é a dor do quase. Porque quase conseguir mostra que faltou muito pouco paara que o que era apenas idealizado se tornasse real, objetivos não alcançados, sejam eles grandes ou pequenos.
Falhar por muito mostra incompetência, falhar por pouco mostra capacidade insuficiente. Ou suficiente, mas não totalmente. Saber que o que se fez foi quase o bastante para que tudo saísse como o esperado, mas que por algum infortúnio não foi o suficiente é realmente pesaroso.
Ter que "deixar para a próxima" por muito pouco. Um pouco que, em outra situações, seria o quase nada. Sempre, sempre é quase nada, a menos quando se precisa desse pouco, seja esforço, empenho, ou até mesmo sorte.
Ter que esperar minutos, dias ou até mesmo meses por algo apenas por ter falhado na última hora.
Mas pior do que ter que esperar por tudo isso é conformar-se e não mais esperar. Falhar por muito pouco e deixar que isso seja suficiente para acomodação, aceitando a oportunidade perdida, sem lutar para que ela seja alcançada. Pior do que o quase é a acomodação.
Ele se foi, reconhecendo o "quase lá", mas em seus olhos via-se a determinação do "será da próxima vez".
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Eu sei, não é assim.
Tinha tudo pra ser e não era. Impressionante. Admirável. Sabia que era desejado, querido, quase inalcançável para algumas. Mas era simples, gentil. Era simples, simplesmente.
Caminhava despreocupadamente, sem a pretensão de prender minha atenção. Tarde demais, eu já estava alheia, percebendo apenas aqueles passos, aquele sorriso, aquele jeito despreocupado, incrivelmente leve.
Passou, olhou-me como quem olha alguém de passagem, desviou o olhar. Seria eu tão repugnante? Estaria ele buscando não perder-se em mim? Arrisco na primeira opção. Mais aceitável.
Ah, quisera eu ter sabido o que sei dele agora. Certamente teria ousado. O abordaria dizendo alguma tolice cuidadosamente planejada para que pudesse vir a gerar algum diálogo.
Tolices foram ditas, diálogos gerados, nada mais.
Para ele, mais uma. Para mim, mais um (digo isso com um certo pesar, de fato). Mas eis como o destino (ou seja lá o que for) quis.
Não era pra ter sido assim. Aliás, uma série de outras coisas não eram pra ter sido como foram. Grãos de amor perdidos pelo caminho, que triste. Mas aconteceu, e nunca saberei como seria se tivesse ocorrido tudo de outra maneira. Talvez eu não fosse essa que aqui escreve. Não, com certeza não seria. A vida é cheia dessas coisas, vai entender.
Adorável, ele continua.
Caminhava despreocupadamente, sem a pretensão de prender minha atenção. Tarde demais, eu já estava alheia, percebendo apenas aqueles passos, aquele sorriso, aquele jeito despreocupado, incrivelmente leve.
Passou, olhou-me como quem olha alguém de passagem, desviou o olhar. Seria eu tão repugnante? Estaria ele buscando não perder-se em mim? Arrisco na primeira opção. Mais aceitável.
Ah, quisera eu ter sabido o que sei dele agora. Certamente teria ousado. O abordaria dizendo alguma tolice cuidadosamente planejada para que pudesse vir a gerar algum diálogo.
Tolices foram ditas, diálogos gerados, nada mais.
Para ele, mais uma. Para mim, mais um (digo isso com um certo pesar, de fato). Mas eis como o destino (ou seja lá o que for) quis.
Não era pra ter sido assim. Aliás, uma série de outras coisas não eram pra ter sido como foram. Grãos de amor perdidos pelo caminho, que triste. Mas aconteceu, e nunca saberei como seria se tivesse ocorrido tudo de outra maneira. Talvez eu não fosse essa que aqui escreve. Não, com certeza não seria. A vida é cheia dessas coisas, vai entender.
Adorável, ele continua.
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Quando os sinais se desligam.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Passou.
Era aquele o momento pelo qual havia esperado a vida toda. Não acreditava, mas dentro de cinco minutos estaria realizando o sonho de toda uma vida. Todas as noites sem dormir, todas as refeições apressadas, todas as recusas que fizera aos amigos, tudo aquilo caminhava lentamente para um desfecho que só dependia dela.
A solidão, a tristeza, a euforia, a dúvida, a insegurança, tudo mesclava-se no bater do seu coração.
Cercada por desconhecidos ela parecia só. Ouvia apenas os ruídos de sua respiração. O vento abafado por tantos corpos parecia ferí-la, como uma última prova pela qual ela precisava passar antes de entrar e enfrentar o grande desafio que a aguardava.
'Abriram-se os portões', ela ouviu. Como que por instinto, dirigiu-se por aquele portão, passando por um corredor que ficava mais estreito a cada passo. Identificaram-na. Começou a caminhar.
O vento agora não era abafado, mas sim carinhoso, dançando por entre seus cabelos. Tinha um semblante sereno, olhos fixos em seu objetivo. Caminhava como que para salvar-se. Ou não.
Ao chegar, rostos conhecidos mesclavam-se a rostos antes jamais vistos. Respirava.
Enfim, começou. O que foram algumas horas pareceram durar uma eternidade. O sim e o não rodavam por entre sua cabeça, a respiração começava a incomodá-la. O coração batia calmo, mas que calma era essa?
Respirou.
Estava ali, na sua frente, havia esperado, evitado, mas por fim chegou a desejar que chegasse logo, que a espera findasse.
Respirou.
O que mais poderia fazer? Era ela, só ela. Não havia quem a guiasse, estava só e só permaneceria enquanto aquilo durasse. Torturou-se por alguns minutos. O coração ainda não refletia todo o seu nervosismo.
Respirou.
Pensamentos voavam soltos, conectando-se como que por acidente aqui e ali. Era isso, não havia mais o que fazer.
Agora caminhava pelo corredor, chegando ao seu fim e sentindo o vento no rosto. Recusou olhar para o próprio rosto refletido em uma janela. Não queria ver em si mesma a derrota.
O caminho de volta, ao contrário do que sempre ocorria, pareceu mais longo. Dava passos calmos, como quem olha o mundo pela primeira vez. Olhava para o céu, os raios de sol tocavam sua pele, o vento fazia seu cabelo dançar. Não ouvia nada, apenas caminhava. Olhos fixos no futuro, pensamento no passado. O presente era apenas o caminhar. Pessoas passavam, sequer ousava encará-las. Estava ocupada demais olhando para o céu e para as nuvens fofas.
Sorriu. De repente, gargalhou. Enfim, o que era aquilo? Era a certeza de que havia tentado, talvez fracassado, mas de que não perderia sua dignidade por aquilo. Aquilo não era suficiente bara definí-la ou derrotá-la. Ela estava apenas começando e, cedo ou tarde, seria mais forte do que os obstáculos que viriam.
Com os olhos marejados por lágrimas, continuou a caminhar, até o conforto dos braços acolhedores.
A solidão, a tristeza, a euforia, a dúvida, a insegurança, tudo mesclava-se no bater do seu coração.
Cercada por desconhecidos ela parecia só. Ouvia apenas os ruídos de sua respiração. O vento abafado por tantos corpos parecia ferí-la, como uma última prova pela qual ela precisava passar antes de entrar e enfrentar o grande desafio que a aguardava.
'Abriram-se os portões', ela ouviu. Como que por instinto, dirigiu-se por aquele portão, passando por um corredor que ficava mais estreito a cada passo. Identificaram-na. Começou a caminhar.
O vento agora não era abafado, mas sim carinhoso, dançando por entre seus cabelos. Tinha um semblante sereno, olhos fixos em seu objetivo. Caminhava como que para salvar-se. Ou não.
Ao chegar, rostos conhecidos mesclavam-se a rostos antes jamais vistos. Respirava.
Enfim, começou. O que foram algumas horas pareceram durar uma eternidade. O sim e o não rodavam por entre sua cabeça, a respiração começava a incomodá-la. O coração batia calmo, mas que calma era essa?
Respirou.
Estava ali, na sua frente, havia esperado, evitado, mas por fim chegou a desejar que chegasse logo, que a espera findasse.
Respirou.
O que mais poderia fazer? Era ela, só ela. Não havia quem a guiasse, estava só e só permaneceria enquanto aquilo durasse. Torturou-se por alguns minutos. O coração ainda não refletia todo o seu nervosismo.
Respirou.
Pensamentos voavam soltos, conectando-se como que por acidente aqui e ali. Era isso, não havia mais o que fazer.
Agora caminhava pelo corredor, chegando ao seu fim e sentindo o vento no rosto. Recusou olhar para o próprio rosto refletido em uma janela. Não queria ver em si mesma a derrota.
O caminho de volta, ao contrário do que sempre ocorria, pareceu mais longo. Dava passos calmos, como quem olha o mundo pela primeira vez. Olhava para o céu, os raios de sol tocavam sua pele, o vento fazia seu cabelo dançar. Não ouvia nada, apenas caminhava. Olhos fixos no futuro, pensamento no passado. O presente era apenas o caminhar. Pessoas passavam, sequer ousava encará-las. Estava ocupada demais olhando para o céu e para as nuvens fofas.
Sorriu. De repente, gargalhou. Enfim, o que era aquilo? Era a certeza de que havia tentado, talvez fracassado, mas de que não perderia sua dignidade por aquilo. Aquilo não era suficiente bara definí-la ou derrotá-la. Ela estava apenas começando e, cedo ou tarde, seria mais forte do que os obstáculos que viriam.
Com os olhos marejados por lágrimas, continuou a caminhar, até o conforto dos braços acolhedores.
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